A Psicanálise
Atualizado: 10 de set.
"a verdade em psicanálise (...) é iluminar algo que ainda não foi posto em palavras e trazê-lo ao discurso (...) Pois é no impacto que o discurso pode ter sobre o real que repousa o poder da psicanálise. (...) Somente simbolizando em palavras - e em muitos casos devem ser articuladas várias vezes, de diferentes maneiras - que se consegue mudar de posição em relação a elas." Bruce Fink

A psicanálise é um método de tratamento criado por Sigmund Freud que parte do pressuposto de que nossos modos de ser, nossas escolhas, nossos sofrimentos e nossos sintomas são determinados por razões que não podem ser plenamente compreendidas apenas a partir da lógica da nossa consciência. Tudo o que somos, dizemos, como agimos é influenciado por uma outra lógica de pensamento, que chamamos de inconsciente.
O tratamento em psicanálise se propõe a buscar as motivações inconscientes por trás de sintomas, conflitos e modos de sofrimento. Para isso, a psicanálise utiliza o método da associação livre, no qual o paciente é convidado a expressar seus pensamentos do modo mais espontâneo possível, evitando censuras. O psicanalista pontua as lacunas no discurso, indica repetições e coloca questões que ajudam o paciente no seu processo de elaboração. Para a psicanálise, falar é um ato potente e transformador: encontrar as palavras, nomear os afetos, localizar os conflitos é em um processo de construção de novas narrativas sobre si mesmo que permitem ocupar novos lugares subjetivos.
Outro elemento fundamental no tratamento psicanalítico é a transferência que acontece na relação que o paciente estabelece com seu psicanalista. Nesta relação, através da transferência, não apenas rememoramos experiências passadas e momentos marcantes de nossa história, mas podemos reviver e repetir certos afetos. O método psicanalítico se baseia tanto no discurso que o paciente, por meio da associação livre, endereça ao analista, quanto na relação de transferência que se estabelece.
O efeito do tratamento psicanalítico, portanto, é resultado da experiência de colocar em palavras vivências que estavam fora do campo simbólico (associação livre), e da relação afetiva que se estabelece a partir da transferência.


